Decisão do ministro do STF foi motivada por live em que o senador leu uma carta atribuída ao ex-presidente; defesa terá 48 horas para se manifestar.
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a suspensão, por 90 dias, das visitas do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A decisão foi proferida após o parlamentar realizar uma transmissão ao vivo em que leu uma carta atribuída ao pai.
Segundo o ministro, a medida cautelar busca preservar a eficácia de decisões judiciais anteriormente impostas ao ex-presidente. Além da suspensão das visitas, Moraes concedeu prazo de 48 horas para que a defesa de Jair Bolsonaro apresente manifestação sobre o caso.
Decisão cita possível descumprimento de medida cautelar
De acordo com Alexandre de Moraes, a live realizada por Flávio Bolsonaro no último sábado (11) teria desrespeitado a determinação que impede o ex-presidente de utilizar redes sociais, seja de forma direta ou por intermédio de terceiros.
Na decisão, o ministro afirma que a conduta do senador representou um possível desvio da finalidade do direito de visita concedido ao ex-presidente.
Com a medida, Flávio Bolsonaro fica impedido de visitar o pai até o dia 11 de outubro. O período abrange a campanha eleitoral e se estende além do primeiro turno das eleições, previsto para 4 de outubro.
Carta foi divulgada durante transmissão ao vivo
Durante a live, Flávio Bolsonaro leu um documento atribuído a Jair Bolsonaro. No texto, o ex-presidente afirma que o senador seria seu “porta-voz” e o nome escolhido para disputar a Presidência da República.
A divulgação ocorreu em meio a discussões internas no Partido Liberal (PL) sobre os rumos da legenda para as eleições de 2026.
Entre os trechos apresentados durante a transmissão, a carta defende a união do partido em torno da pré-candidatura de Flávio Bolsonaro.
Defesa terá prazo para apresentar esclarecimentos
Além de suspender as visitas, Alexandre de Moraes determinou que a defesa do ex-presidente apresente esclarecimentos no prazo de 48 horas sobre a possível violação das medidas cautelares em vigor.
Até a publicação desta reportagem, a defesa de Jair Bolsonaro não havia divulgado posicionamento sobre a decisão.
Fonte: Diário do Nordeste
Foto: Reprodução/ Redes Sociais