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Mesmo perto da média, chuvas da pós-estação de 2026 no Ceará têm o pior resultado em 8 anos

Chuva caindo em área urbana do Ceará durante a pós-estação de 2026

Entre junho e julho, o Estado registrou 36,1 milímetros de chuva, volume 30,9% abaixo da normal meteorológica

As chuvas registradas no Ceará entre junho e julho ficaram próximas da média histórica para o bimestre, mas o resultado ainda representa o pior desempenho dos últimos oito anos. Ao todo, o Estado acumulou 36,1 milímetros (mm) de precipitação no período — volume 30,9% menor que a normal meteorológica, de 52,2 mm.

Segundo o Calendário de Chuvas da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme), esse é o maior desvio negativo desde 2018, ano em que as chuvas do bimestre ficaram 53,7% abaixo da média, com apenas 24,2 mm. Nos anos seguintes, os resultados oscilaram bastante: em 2022, o Estado teve um desvio positivo excepcional de 95,7% (102,3 mm), enquanto em 2023 o índice ficou 29% abaixo da média (37,1 mm).

Junho e julho dentro da faixa de normalidade

Em junho, o Ceará registrou 26,7 mm de chuva, abaixo da média histórica de 37,2 mm, mas ainda dentro da faixa considerada normal, que vai de 24,6 mm a 49,8 mm. A macrorregião do Maciço de Baturité teve o maior acumulado do mês, com 102,4 mm — puxado por Pacoti (191,1 mm) e Guaramiranga (176,4 mm). Já o Cariri registrou o menor volume, com apenas 12,9 mm.

Em julho, o volume caiu para 9,4 mm, também dentro da normalidade para o mês, que varia entre 8,8 mm e 21,3 mm. O Litoral de Fortaleza teve o maior acumulado do período, com 25 mm, enquanto a região Jaguaribana registrou apenas 5,4 mm.

O que explica as chuvas na pós-estação

De acordo com a Funceme, o principal fenômeno responsável pelas precipitações nesse período do ano são os Distúrbios Ondulatórios de Leste (DOLs), também conhecidos como “Ondas de Leste”. Trata-se de perturbações no campo de vento e pressão na região equatorial do Oceano Atlântico, originadas a leste do continente. Ao reduzir a pressão atmosférica em superfície, os DOLs formam áreas de instabilidade e provocam chuvas ao longo de sua trajetória, por carregarem grandes quantidades de umidade.

Os 10 maiores acumulados entre junho e julho

  • Pacoti: 292,9 mm
  • Guaramiranga: 292,8 mm
  • Trairi: 211,4 mm
  • Palmácia: 187,8 mm
  • Mulungu: 181,7 mm
  • Guaiúba: 172,1 mm
  • Redenção: 160,9 mm
  • Maracanaú: 155,2 mm
  • Aratuba: 148,8 mm
  • Aquiraz: 136,9 mm

Situação dos açudes cearenses

Segundo o Portal Hidrológico do Ceará, até esta segunda-feira, 3 de agosto, cinco reservatórios estão sangrando, 43 apresentam volume acima de 90% da capacidade e 28 estão com armazenamento inferior a 30%. Ao todo, o Estado tem um volume acumulado de 9,31 bilhões de metros cúbicos, o equivalente a mais da metade da capacidade total de armazenamento.

Fonte: Diário do Nordeste

Foto: Fabiane de Paula


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