Projeto de R$ 526 milhões começará na Praia do Futuro e deve entrar em operação no segundo semestre de 2028, reforçando o abastecimento de água da Capital.
Após cinco anos desde o lançamento do projeto, a construção da usina de dessalinização de Fortaleza foi oficialmente autorizada. A assinatura do termo que permite o início das obras ocorreu nesta quinta-feira (16), marcando o avanço de um dos principais projetos de infraestrutura hídrica do Ceará.
Instalada na Praia do Futuro, a unidade utilizará água do mar para produzir água potável e ampliar a segurança hídrica da capital cearense. O investimento inicial é estimado em R$ 526 milhões, valor calculado com base em preços de 2020 e que ainda poderá passar por atualização durante a execução do empreendimento.
Obra integra parceria público-privada
A usina será construída e operada por meio de uma Parceria Público-Privada (PPP) firmada entre a Cagece e a concessionária Águas de Fortaleza, formada pelas empresas Marquise S/A, PB Construções Ltda. e Abengoa Água S/A.
Embora o investimento direto na construção seja estimado em R$ 526 milhões, o contrato da concessão soma aproximadamente R$ 3,1 bilhões ao longo de 30 anos de operação.
Segundo o presidente da Cagece, Neuri Freitas, os custos poderão sofrer ajustes devido à inflação e às mudanças no mercado de materiais e serviços.
Ele explicou que qualquer reequilíbrio financeiro dependerá de comprovação técnica durante a execução das obras.
Entrega está prevista para 2028
A expectativa é que a construção seja concluída em cerca de 24 meses. Dessa forma, a previsão é que a usina entre em operação no segundo semestre de 2028.
Quando estiver funcionando plenamente, o sistema terá capacidade para dessalinizar mil litros de água por segundo, volume equivalente a aproximadamente 12% da demanda do Macrossistema de Distribuição de Água de Fortaleza.
Além disso, a nova estrutura deverá beneficiar diretamente cerca de 720 mil moradores da Capital.
Entre os bairros contemplados estão:
- Papicu;
- Varjota;
- Cidade 2000;
- Praia do Futuro;
- Caça e Pesca;
- Cais do Porto;
- Serviluz;
- Vicente Pinzón;
- Dunas;
- Aldeota;
- e áreas vizinhas.
Ao mesmo tempo, municípios da Região Metropolitana também poderão ser beneficiados de forma indireta, com o alívio da demanda sobre o sistema Jaguaribe/Metropolitano.
Como funcionará a usina
O empreendimento ocupará uma área de aproximadamente 2,4 hectares na Praia do Futuro.
Inicialmente, uma tubulação fará a captação da água do mar, que será encaminhada até a estação de tratamento. Em seguida, o processo de dessalinização utilizará a tecnologia de osmose reversa, considerada uma das mais eficientes para transformar água salgada em água potável.
Posteriormente, a água tratada será transportada por uma nova adutora até os reservatórios do Morro Santa Terezinha e da Praça da Imprensa.
O projeto também prevê a instalação de um emissário submarino com cerca de 700 metros de extensão para devolver ao mar a salmoura — rejeito com elevada concentração de sal — seguindo critérios ambientais previstos no licenciamento.
Obras exigirão intervenções urbanas
Durante a implantação da infraestrutura, algumas vias da cidade precisarão passar por interdições temporárias para instalação das tubulações.
Segundo a Cagece, os desvios de trânsito serão divulgados gradualmente em conjunto com a Autarquia Municipal de Trânsito e Cidadania (AMC).
Além disso, o consórcio responsável realizará obras complementares, como:
- remanejamento da drenagem pluvial da região;
- construção de uma nova areninha para substituir o equipamento existente;
- implantação das novas redes de abastecimento.
O estudo ambiental também prevê impactos temporários, como emissão de poeira, aumento do ruído e movimentação intensa de máquinas durante as obras.
Projeto enfrentou atrasos desde 2020
O início da construção sofreu sucessivos adiamentos ao longo dos últimos cinco anos.
Inicialmente, o principal impasse envolveu a existência de cabos submarinos de telecomunicações instalados na Praia do Futuro. Para evitar riscos à infraestrutura de internet internacional, foi necessário alterar a localização da usina.
Com a mudança, a captação de água passou a ficar cerca de 550 metros distante das estruturas de telecomunicações, exigindo novos estudos ambientais e oceanográficos.
Além disso, o projeto aguardou diversas autorizações, incluindo licenças ambientais, aprovação da Marinha para intervenções no mar e documentação necessária para a construção da nova areninha da região.
Somente após a conclusão dessas etapas foi possível autorizar oficialmente o início das obras.
Fonte: Diário do Nordeste
Foto: Reprodução