Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors

Cultivo do tomate na Ibiapaba atrai grandes produtores nacionais.

Toda a cadeia produtiva do tomate movimenta no Brasil R$ 83 bilhões por ano.

Por Egídio Serpa / Diário do Nordeste

Durante o Coalização Agro, promovido por Carlos Matos e realizado na semana passada em Guaraciaba do Norte, aconteceu o Tomate Day (o Dia do Tomate), que revelou algo impressionante: sua cadeia produtiva no Brasil movimenta, anualmente, um Evereste de incríveis R$ 83 bilhões. 

É um mercado que, neste momento, experimenta uma série de mudanças, incluindo o novíssimo segmento de saladas prontas, que representam 3% do mercado nacional de tomates, que cresce dois dígitos por ano. Na Holanda – maior produtor mundial – as saladas prontas representam 60% do mercado de hortaliças; no Brasil, apenas 3%, ainda. 

Mas surgiu do Tomate Day uma boa notícia para a segurança hídrica: nos testes realizados pela Embrapa na Ibiapaba, seus pesquisadores obtiveram, por meio do cultivo protegido (sob estufas), o aproveitamento de 95% da água da chuva, “o que torna esse sistema de produção praticamente autônomo, livrando-o do sistema tradicional de recursos hídricos”, disse Carlos Matos à coluna.  

Ora, fica claro, em primeiro lugar, que os hortifruticultores da Ibiapaba, que já utilizam a tecnologia do cultivo protegido, terão de construir cisternas para armazenar a água da chuva, e vários deles já as construíram, como, por exemplo, a Itaueira Agropecuária, que produz pimentões coloridos em São Benedito; em segundo lugar, fica claro, também, que, como a irrigação do cultivo sob estufas é por gotejamento, a água do Céu será suficiente, desde que bem acumulada em volume e em cisternas adequadas. 

Outra boa novidade surgida no Coalizão Agro de Guaraciaba do Norte diz respeito ao crédito: o Banco do Nordeste, o Banco do Brasil e o Sicred, que participaram dos dois dias do evento, garantiram que estão “plenamente à disposição dos interessados” em investir no cultivo protegido não só do tomate, mas de outras hortaliças e frutas de valor agregado. Carlos Matos revelou que o Sicred, cuja atuação é forte no financiamento de projetos na área rural no Brasil, é associado ao gigante holandês Rabobank, financiador líder da indústria do agro e produção de alimentos em todo o mundo.  

“O Sicred, que tem atuação forte no Sul brasileiro, chega agora ao Ceará com a firme determinação de financiar as atividades do agro no estado”, informa Carlos Matos, acrescentando que o Sebrae-CE abriu um fundo garantidor “que permitirá empréstimos de R$ 700 mil sem garantias reais”. O mesmo fundo também assegurará empréstimos de até R$ 1,5 milhão junto ao BNDES, igualmente sem garantias reais, “o que viabilizará completamente projetos para a modernização da produção de tomate na região da Ibiapaba. 

Naquela região serrana, a produtividade das áreas de produção do tomate varia de 5 quilos até 17 quilos, e isto levanta a pergunta: por quê? E a resposta é: quem produz tomate no modo tradicional, sem as novas tecnologias, produz pouco; quem o faz com a tecnologia do cultivo protegido produz mais e, consequentemente, tem margem várias vezes maior. É por esta razão que a Ibiapaba amplia sua área de estufas. 

O empresário Francisco Antônio, mais conhecido como Chico Antônio, é o maior produtor de tomate de Guaraciaba do Norte, “e tudo o que ele produz é sob estufas teladas, razão por que não esconde sua satisfação, sendo, aliás, exemplo para os demais produtores ibiapabanos, que terão de aderir ao cultivo protegido, sob pena de fracassarem no negócio”, como assinala Carlos Matos, que lembra: “Hoje, o Chico Antônio tem uma produtividade de 10 quilos de tomate por pé, mas sua meta é chegar aos 17 quilos.”

Ainda durante a Coalização Agro, foram revelados, porém, para surpresa do auditório, dados decepcionantes sobre a cadeia produtiva brasileira do tomate. Exemplo: o Brasil seria o quarto maior produtor do mundo, se não desperdiçasse 50% de sua produção. 

Hoje, o Brasil produz 9,5 quilos de tomate per capita, mas só 4,2 quilos chegam à mesa do consumidor. São vários os motivos, entre os quais o da logística de transporte, que é ineficiente. Na Europa, o desperdício é de cerca de 5%.

“Fica muito clara a desorganização da cadeia produtiva nacional do tomate. Será necessário fortalecer os produtores por meio do associativismo e pelo surgimento de empresas integradoras, e neste sentido o Grupo Trebeschi, o maior do país, com área de produção sob estufas em Ubajara, está tomando providências para a execução de um programa de integração com os produtores. Acho que vai dar certo”, completou Carlos Matos. 

Gostou da postagem? Compartilhe!